Últimas repercussões
Nos últimos dias, muito se falou sobre o Sr. Luciano Huck, cidadão paulistano “exemplar” que num momento de desabafo utilizou parte da mídia para expor o que pensa sobre o acontecido. Nesse caso, o roubo de seu Rolex (avaliado em mais ou menos R$ 38 mil reais).
Claro que, como numa sociedade livre em que vivemos, muito se falou e se repercutiu. Não poderia ser diferente. Como diz a fala do filme BOPE – Tropa de Elite – “Quantas crianças a gente perde pro tráfico por conta de playboyzinho querendo fumar um baseado, do seu apartamentinho da zona sul, você não vê isso!” – ou algo parecido com isso. Nós, cidadões normais, que também pagamos impostos, somos obrigados a conviver diariamente com isso. São crimes chocantes, e pasmem – cada dia mais “normais” em nossas vidas.
Claro, não tiro o direito do próximo de se revoltar com isso. Mas o que entristece é ver que sim, ele passou por isso UMA ÚNICA VEZ, com um relógio no pulso que poderia facilmente pagar os 5 anos de uma faculdade de direito de alguém da periferia, por exemplo, e mostrou-se chocado com a situação. É complicado quando a corda explode do outro lado, quando a granada cai na sua mão, né?
No meu dia a dia, vejo muito crime. Muito bandido assaltando e se gabando, muito cara envolvido com tráfico de drogas, muita corrupção policial, muita história com final infeliz. É assim que as coisas são, do lado miseravel da tela. Acredito que sim, ele pode estar fazendo a parte dele, como cidadão, reclamando seus direitos, e deve ter sua rotina de ajuda aos mais necessitados, mas infelizmente o tom que ele usou não me agradou. Você sabe quantas pessoas são assassinadas diariamente, Sr. Luciano Hulk, sem que algum jornal coloque o direito de reclamação nas nossas costas, livremente, e que infelizmente só podem é erguer a cabeça e continuar lutando?
Sei que você não é culpado. Você entretem milhões todas as semanas, tem sua família e mais o que fazer da sua vida.
Triste é ver que nós, comuns, nada podemos fazer.
Aliás, poderiamos poder fazer algo, correto? O problema é que quem deveria e PODERIA mudar as coisas, nada faz. Concorda comigo, Sr Luciano? Muito político corrupto que ta mais preocupado em encher a carteira, ao invés de ser caveira. É a triste realidade. Quer mesmo reclamar com quem é de direito? Brasilia é um bom lugar pra começar.
Sei que daqui, do meu gueto, eu nada posso fazer. Se tentar reclamar, seria passado pelo crime cada dia mais organizado. Se fosse aparecer em Brasilia, não seria ouvido em hipótese alguma. Se me revolto, estou errado. E a mídia, Sr Luciano, só se abre para pessoas como você, que infelizmente nada sabem sobre a criminalidade e como funciona toda essa picuinha.
Fica apenas a dica: se quer mesmo se revoltar e mudar algo, procure quem tenha o que falar. E posso te garantir: em qualquer periferia de uma grande cidade, sempre vai ter dois ou três que deveriam ter direito a fala e nunca conseguem.
Ps.: Da licença aqui, mas ai num to ligado nessa sintonia de blog e pá, mas ai na humildade, vo adicionando os blog que mais interessa pra minha pessoa, sem maldade firmão? é que num to ligado como arquiteta umas parcerias fortes virtuais, se alguém quiser dar um salve nisso ai, só deixa comentário que tamu junto, firmeza?
Tags: criminalidade, desabafo, luciano huck, política, rolex, roubo
You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.
Outubro 16, 2007 at 7:27 pm
Vi seu blog no blogblos e fui atraído pelo nome. Gostei muito do texto e da eloqüência da redação, além, claro, do sentido filosófico da mesma. Infelizmente, direito no Brasil tem se tornado isso: reclama-os quem pode. Quem não pode ficar, quase sempre, a ver navios. E claro que a sociedade de livre consumo não condena quem usa um rolex, porque esse tipo de sociedade não segue o que se chamaria de ‘postura ética’. Parabéns a você pelo belíssimo texto. Voltarei depois para ler mais. Grande abraço!
Outubro 18, 2007 at 3:39 am
Eu acho bom o texto do Luciano Huck, não pelo artigo em si, mas por trazer esta discussão à tona.
É uma discussão pertinente, e quem deturpa o que foi dito, optando por criticar a classe média ou a classe mais abastada (o Luciano Huck não é classe média, nem nunca foi) perde a chance de contribuir VERDADEIRAMENTE para reduzir a criminalidade como um todo – que, é obvio, afeta a todos, desde os mais ricos até os mais pobres. Afeta de formas diferentes, mas é incontestável que afeta a todos.
Neste sentido, se precisava de um texto de um “famoso” no jornal para trazer esta discussão à tona, ótimo. O texto serviu ao seu propósito – até porque, o que o Luciano Huck pede (mais segurança), é algo que todos queremos, não ?!
Independentemente de rico, pobre, ou qualquer outra “classe”…….
Comentei sobre isso no meu blog também, muito superficialmente, e me surpreendi com o sectarismo de algumas pessoas….. Não dá para culpar apenas 1 pessoa – político ou não – pelo caos. Mas deixando a “culpa” de lado, é um bom momento para que todos os cidadãos cobrem a RESPONSABILIDADE de seus vereadores, prefeitos, deputados, governadores, deputados federais, senadores e presidente. TODOS são responsáveis, e deveriam agir.
Se não agirem, quem deve fazer alguma coisa são os eleitores: COBRAR.
E usar o poder do voto para não eleger quem não se responsabiliza, inclusive, pela segurança.
Abs,
Carlos Munhoz
http://saladamaejoana.wordpress.com/